Pegar carona ou não? Eis a questão!

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Quando eu me mudei para o hostel Ô de Casa em São Paulo, no ano passado, e depois, ao começar a viajar, fui conhecendo muitXs viajantes que pegavam carona e eu sempre me espantava.

Se era um homem falando:

– Ah! Só que pra você é fácil!

Se fosse uma mulher:

– Você é maluca de fazer isso aqui no Brasil! Como você tem coragem???

Nunca entendia muito bem as expressões faciais que eles faziam ao tentar me explicar, muito menos eu achava lúcido o que diziam. E, sim, eu virava os olhos, como quando a gente tem 15 anos e escuta lições dos pais, sabe? rs

Mas à medida que fui seguindo, fui vendo outras coisas, me conectando com outras vibrações, conhecendo outros tipos de pessoas e, dentre vários pontos, pensei que talvez esse lance da carona fizesse aí algum sentido. (=

No final de 2015, quando cheguei em Campo Grande para curtir minha família e ficar para as festas de fim de ano e tudo mais, eu estava em um momento de balanço mental. Tinha concluído um ciclo de viagens e precisava assimilar MUITA coisa. Muita mesmo. E foi neste ponto que comecei a pesquisar muito sobre carona. Aquela carona que via o pessoal fazendo, né? Porque eu já tinha pego caronas antes na vida, mas em um grau “mais seguro”. (Acho que dá pra entender o que quero dizer com estas aspas, certo?)

Li este texto aqui e marquei um Skype pra falar com essa lindeza que é a Carol, que eu já conhecia de antes (só que não nos conhecemos pessoalmente ainda hehehe). E é óbvio que falamos sobre viagens, sobre desprendimento, sobre sentimentos, sobre objetivos, sobre abundância – vou ainda falar a respeito de tudo isso por aqui (prometo!) e, claro, conversamos sobre carona.

Após alguns dias, eu quis testar minha coragem, meu exercício de confiança e meu sexto sentido: lá estava eu na porta do condomínio onde minha mãe mora, em Campo Grande, e como eu não conseguia um táxi de jeito algum, vi um carro todo adesivado na frente de uma lojinha e quando o motorista voltou, perguntei:

– Hey, boa tarde! Para qual direção o senhor vai? Preciso ir para tal sentido, poderia me dar uma carona?

Ele consentiu e fomos. O trajeto era curtíssimo e tudo teria sido perfeito se ele não tivesse pedido meu telefone no final. Ele estragou tudo nos 45 minutos do segundo tempo. =( Isso por si só já foi escroto, mas ainda coloco um agravante do cara ser casado! Saindo do carro falei que não e fiquei muito triste de não saber o que responder direito. Fiquei total sem reação. Depois, na internet falei sobre o ocorrido com outras garotas e aprendi pontos importantes, como, até mesmo, o que falar logo de cara, como dizer não, etc.

Ali eu tive uma oportunidade de ensinar algo de útil para aquele indivíduo. “Não, não é porque eu pedi carona que estou disponível para você. Veja, em momento algum aqui pintou “um clima” que acendesse a luz para essa abertura.” Enfim. Aprendizado: check ✓! Todavia, sempre em aberto.

* Obs: participo de alguns grupos incríveis no Facebook, dentre eles o “Couchsurfing das mina”, onde trocamos MUITAS experiências e aprendizados.

Algumas semanas se passaram, eu já tinha retomado minha viagem e estava em São Paulo, assustada com o preço da passagem até BH e sem carona de amigos em vista. Daí encontrei o aplicativo Bla Bla Car, pesquisas mil novamente e fim. Dia 31 de janeiro lá estava eu indo por R$ 80 para a capital mineira com dois guris que estudam em Ouro Preto e estavam em Sampa City para a Campus Party. Como foi? Tudo excelente! \o/

Expliquei tudo isso para chegar até o relato do meu dia 8, onde, após VER uma guria pedindo carona na rua assim que cheguei em Ouro Preto, e CONVERSAR sobre o assunto com as gurias que conheci, lá fui eu, na saída da cidade, às 7h da manhã tentar carona no melhor estilo “dedão”. =D

E, olha, me senti tão empoderada e autossuficiente, sabe??? Incrível! Deu tudo lindamente certo, o Alex foi bem gente boa, me deixou num lugar ótimo aqui em BH e mais que rápido eu já estava no bus pra casa. =D

Exemplos de cuidados que tomei: o horário, ativei minha sensibilidade, me apresentei com aperto de mão firme e eu estava com o celular em punhos dizendo coisas do tipo “Ah que ótimo! Então a gente chega em +- 1h30? Já vou avisar aqui. Nossa! Muito obrigada!” =) E assim avisei no grupo das amigas da cidade o nome do cabra e o carro onde eu estava. FIM.

Perguntas possíveis que minha mãe que vocês podem fazer:

– Você não sabe como a pessoa dirige! E se ela for louca na estrada?

R: Acidentes podem acontecer e com todo mundo, a qualquer momento. Inclusive sofri um recentemente, em dezembro, quando estava de carro com um amigo e sua família. E de mais a mais, sempre podemos dizer “ok, para ali que vou descer!”

– Mas você acha que a economia de R$ 20 compensa?

R: Em grupos no Facebook você encontra caronas OP <–> BH por esse valor. Mas vale lembrar que você também não conhecerá a pessoa, né?

– A passagem de ônibus custa pouco mais de R$ 30, você levará aí umas 2h pra chegar, porém, estará segura! Por que fazer isso???

R: E então eu devolvo a pergunta: Por que não?

Sim, preciso economizar o máximo possível, mas não é só a questão financeira. Entende?

Porque não optar viver em um mundo onde você confia? Veja bem: não podemos nos esquecer que no momento da carona, a criatura que aceita dar também está confiando em você! Quantas vezes não ouvimos histórias de “mulheres iscas” na beira da estrada, que abrem caminho para assaltos?

Eu prefiro acreditar em mim, nos meus sentidos e nessa troca mágica com o outro que acontece quando nos permitimos. Quando os olhares se cruzam e algo se estabelece ali, naquele momento.

Quando você começa a viajar, você se abre pro mundo e uma coisa estranha acontece: meio que você volta a prestar atenção em sensações primitivas, nos alertas que seu corpo lhe dá sobre perigo, atenção, etc, etc! Exatamente como os animais fazem. Afinal de contas, gente, somos o que se não animais??

Para concluir, quero compartilhar aqui novamente um texto da maga da Carol, no qual ela fala lindamente sobre troca. Vale demais. Boa leitura!

Sobre trocas e a vinda pra Europa

——————

Bom, isso foi o que aconteceu de mais interessante e importante no meu dia 8. =)

Ao chegar em casa, rolei pelo chão com o Gohan, dei remédio pra ele e descansei. Estava morta dos últimos dias! De noite levei o lindão pra passear e estou muito feliz com os nossos avanços. Acho que o placar “quem manda aqui sou eu” está começando a virar! \o/ (Eu sou tão otimista que dá até gosto!)

Ah! E uma dificuldade se estabelece: escrever o relato em um horário honesto e IR DORMIR mais cedo.

Bruna, pelo amor de Deus!!! Melhora isso!!

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Resumão:

1 – Leu? R: Não.

2 – Escreveu? R: Sim.

3 – Fez atividade física? R: Gohan!! Beleza!? Isso responde, da mesma maneira que “Ouro Preto” respondia. E ontem fomos até a sorveteria e é meio longinho! =D

4 – Meditou? R: Não.

5 – E os pensamentos? R: Ai, gente, tô tão satisfeita com essa parte!! ❤ ❤ ❤ Tô tão leve!!

6 – Nível de procrastinação? R: Ontem era meio que minha folga…rs

Saldo: Foi ótimo e o dia 8 marcou minha vida. Afinal de contas, foi a primeira vez que dei dedão na beira da estrada! =D

 

* Acordei muito cedo. Quase não dormi. Acho que meu cérebro não conseguiu me acompanhar e pensar numa música. (=

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